A partida entre Fluminense e Operário-PR, válida pela quinta fase da Copa do Brasil, terminou em empate sem gols, mas deixou sequelas que ultrapassam o resultado do campo. Na coletiva de imprensa realizada após o confronto no Estádio Germano Krüger, o técnico tricolor Luís Zubeldía abordou questões que vão muito além da tática utilizada na partida, trazendo à tona reflexões pessoais sobre sua trajetória como jogador.
O principal ponto levantado pelo treinador foi a qualidade precária do gramado da arena paranaense. Zubeldía não poupou críticas às condições de jogo, destacando como fatores estruturais inadequados podem comprometer a integridade física dos atletas. O assunto ganhou ainda mais relevância com a lesão de Martinelli, volante do Tricolor das Laranjeiras, que precisou deixar o gramado aos cinco minutos de jogo após sentir incômodo na coxa.
Durante a entrevista, o comandante tricolor fez um paralelo impactante com sua própria história. Aos 23 anos, Zubeldía precisou se aposentar precoce do futebol como jogador devido a uma lesão no joelho. O técnico atribui seu afastamento prematuro da carreira atlética ao acúmulo de partidas em curto período combinado com a falta de estrutura adequada. "Joguei muitos jogos profissionais em pouco tempo, em gramados diferentes. E possivelmente uma das causas da minha saída precoce foi produto de não cuidado, de jogar muitos jogos em pouco tempo, em gramados diferentes e em uma estrutura física com a qual não estava preparado", afirmou Zubeldía.
O técnico reforçou sua preocupação ao comentar especificamente sobre a lesão de Martinelli. Segundo Zubeldía, o tipo de gramado presente no Estádio Germano Krüger força os jogadores a realizarem movimentos involuntários para controlar a bola, aumentando significativamente o risco de lesões. "Sobre o Martinelli, eu chamo isso de movimentos involuntários. Este tipo de gramado te faz ter que fazer movimentos involuntários, em que tem que controlar a bola. Corre-se risco de um jogador ter dificuldades físicas", explanou.
Zubeldía ressaltou a importância de diferenciar entre fatores inevitáveis e aqueles que poderiam ser evitados. O treinador mencionou que o calendário apertado e os gramados sintéticos são conhecidos de antemão e fazem parte do planejamento. Porém, em seu entendimento, as más condições de infraestrutura do Estádio Germano Krüger representam um fator evitável que prejudica tanto Fluminense quanto Operário-PR.
A crítica de Zubeldía evidencia uma questão estrutural importante no futebol brasileiro: a necessidade de padronização e manutenção adequada de instalações que recebem competições de relevância nacional como a Copa do Brasil. O caso de Martinelli serve como exemplo concreto dos riscos reais enfrentados pelos atletas quando essas condições não são garantidas.
Fonte: Netflu (https://www.netflu.com.br/tecnico-do-fluminense-relembra-aporentadoria-precoce-do-futebol-e-comenta-lesao-de-martinelli/)