O Profeta e o Fluminense na semifinal


Amigos, fui visitar o Profeta, na distante caverna que ele habita. Após a monumental vitória tricolor em Montevidéu, não resisti à tentação de ir ver meu velho compadre. Afinal, estamos na semifinal da Copa Sul-Americana e eu, afogando na minha ansiedade, na minha angústia, precisava saber se temos chances de levantar o caneco.
Vocês devem se lembrar de 2010: a cada tropeço do nosso Fluminense, o sapientíssimo Profeta não deixava morrer em nós a fé no Campeonato. Mesmo naquela semana terrível, quando perdemos primeiro para o Santos, depois para o Cruzeiro, quando os lorpas e pascácios já descartavam o Fluminense da briga pelo título, ele continuava coçando sua longa barba branca, calmamente repetindo seu vaticínio: “Fluminense campeão! Fluminense campeão!”. E de fato, dois meses depois, nós estávamos no Engenhão testemunhando o triunfo sobre o Guarani: o Campeonato Brasileiro se rendia ao Fluminense, exatamente conforme o previsto pelo sábio homem. 
Sim, amigos, o Profeta está vivo, vivíssimo: o encontrei sentado no mesmo banquinho de madeira de sempre, a contemplar aquelas quatro faixas penduradas nas úmidas paredes: 1970, 1984, 2010, 2012. Ele não precisava dizer, mas ainda assim ouvi sua confortante voz ecoar: “Fluminense campeão! Fluminense campeão!”.
Em Montevidéu, a cidade cujos ventos testemunharam a primeira Copa do Mundo, lá em 1930, com nosso Preguinho de capitão da Seleção Brasileira, o Fluminense derrotou o poderoso Nacional por 1 a 0. No lance fatídico, o goleiro dos uruguaios entregou a bola de bandeja para o Fluminense, e para nossa sorte ela caiu justamente nos pés de Sornoza. Caísse nos pés de um perna-de-pau e a chance seria irremediavelmente perdida. Mas ela caiu nos pés do craque equatoriano, que a repassou a Luciano. E Luciano teve a tranquilidade de um monge, para primeiro driblar o zagueiro e o goleiro, e só depois encaçapar de maneira genial e inapelável.

Não se improvisa a conquista de uma Copa. A glória sempre é o resultado de um vagaroso trabalho, que pode durar gerações. Nós, tricolores do céu e da terra, sonhamos há décadas com os troféus desta América de futebol. Nós, que vivemos 2008 e 2009, nós, que sentimos a dor daquelas injustiças na carne e na alma, nos sabemos merecedores do júbilo.

Pois eu acredito no Profeta. Daqui a quatro noites, nós levantaremos a Copa Sul-Americana aos céus do Rio de Janeiro.

PCFilho

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