Fla-Flus dos títulos – Capítulo 5: Na esperança, Fluminense alcança


Há 22 anos, Flamengo e Fluminense entraram em campo para um jogo com ares de decisão. Às vésperas do jogo realizado pela  última rodada do Octogonal, o Rubro-Negro era quem estava mais próximo de conquistar mais um Carioca.  Mas teve um gol de barriga do Fluminense no meio do caminho…

1995 – FLUMINENSE CAMPEÃO – 3×2

Aquele tinha tudo para ser o ano do Flamengo. Comemorava o centenário, montou um time espetacular com o melhor do mundo Romário , tinha Vanderlei Luxemburgo, o técnico mais incensado do Brasil naquele momento (e Rubro-Negro declarado) e já havia vencido a Taça Guanabara. Naquela
rodada final, bastava um empate contra o Fluminense que era bom, mas, como todos falavam, era o patinho feio para que o caneco mais esperado pela
torcida para festejar os 100 anos fosse para a Gávea.

Só que o Fluminense colocou o coração na chuteira, abriu 2 a 0 no primeiro tempo e descontrolou o Flamengo, que só foi voltar ao jogo quando Romário inventou um gol aos 26 da etapa final. Após este gol, a torcida do Fla empurrou o time e o que se viu foi um massacre. Fabinho empatou, outras chances foram
criadas, o Flu teve Lira expulso.

O empate estava ótimo mas a vitória era iminente. Até que Renato completou de barriga a jogada espetacular de Ailton em cima de Charles Guerreiro. Este título nenhum tricolor esquecerá.

FLAMENGO 2×3 FLUMINENSE

LOCAL: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

ÁRBITRO: Leo Feldman
PÚBLICO: 109.204 pagantes
GOLS: 30’ 1ºT Nome (0-1) ; 42’ 1ºT Leonardo (0-2) ; 26’ 2ºT Romário (1-2); 33’ 2ºT Fabinho (2-2) e 42’ 2ºT Aílton (2-3)

CARTÕES: Sorlei, Lima, Lira (FLU) e Marquinhos (FLA)

FLAMENGO: Roger, Marcos Adriano (Rodrigo Mendes), Gelson Baresi, Jorge Luís, Branco, Charles Guerreiro, Fabinho, Marquinhos, William (Mazinho Oliveira), Romário, Sávio. T: Vanderlei Luxemburgo

FLUMINENSE: Wellerson, Ronald, Lima, Sorlei, Lira, Márcio Costa, Aílton, Djair, Rogerinho (Ézio), Renato Gaúcho, Leonardo (Cadu). T: Joel Santana

OS DESTAQUES

NO FLUMINENSE

O conjunto do Fluminense e o trabalho de Joel Santana foram essenciais para que um time que era a quarta força fosse campeão. Mas não há dúvida de que o cara que exemplifica toda a mítica conquista foi Renato Gaúcho. Durante toda a campanha ele chamou a responsabilidade, disse que o Flu seria campeão e que ele seria o Rei do Rio. Foi o que deu.

NO FLAMENGO

A diretoria sob o comando do recém-empossado presidente Kléber Leite não mediu esforços para montar um supertime, contratar o melhor técnico do
país (Vanderlei Luxemburgo) e, claro, conseguir repatriar o melhor jogador do mundo na época, Romário. O Baixinho mandou muito bem, foi artilheiro, fez gols decisivos. Mas teve um Flu pela frente. E aí…

Em meio à zaga flamenguista, Renato Gaúcho faz o gol redentor do Fluminense (Foto: Divulgação/Fluminense)

BATE-BOLA – FLUMINENSE

‘Deus pensou: ‘Esse time tem de ser campeão”

DJAIR
Meia do Fluminense em 1995 

Qual é a dimensão que a superação do título carioca de 1995 trouxe para a história do Fluminense?

Foi uma conquista especial. Nós éramos o “patinho feio”, o time que vinha de um jejum de nove anos, que começou mal na competição. E, além disto, vem a história fantástica daquele Fla-Flu, na qual a gente faz 2 a 0, tem um segundo tempo atípico, toma dois gols e perde quase toda a zaga. Aquele gol do título pareceu um milagre. Com 42 minutos, a torcida do Flamengo gritava “é campeão” e os tricolores saindo, acho que Deus pensou: “Peraí, esses caras sofreram para c…, vou deixar que eles ganhem” (risos).

E como crê que o Flu teve forças para ir à frente e tentar a vitória?

Por tudo o que passamos, a única coisa que a gente tinha a fazer era acreditar até o final. Inclusive, este foi um dos temas que o Joel (Santana) usou na preleção. De que, independentemente do que acontecesse, a gente lutasse até o apito do juiz.

Em que o trabalho Joel Santana pesou para esta conquista?

Em tudo. O Joel é um dos maiores treinadores com quem trabalhei na
minha carreira. É um cara que, tanto dentro quanto fora de campo, ajudou
os jogadores a batalhar, especialmente para ter esta reação.

BATE-BOLA – FLAMENGO

‘Tínhamos tudo para ganhar’

MARQUINHOS
Meia do Flamengo em 1995

‘Tínhamos tudo para ganhar’

Em que o Flamengo pecou para deixar escapar o título naquele jogo final?

O time entrou devagar, achando que ganharia a qualquer momento. O Flu entrou com mais entusiasmo, foi eficiente e fez 2 a 0. No segundo tempo, voltamos com tudo empatamos, mas teve aquela barriga infeliz.

Como foi o baque de ser expulso naquele momento em que o Flamengo buscava a reação?

Foi expulsão boba. No lance do gol do Romário, fui buscar a bola e aí discuti
com o Sorlei e fomos para fora. Foi ansiedade, a gente estava perdendo o
jogo naquela hora.

O que guarda daquele período do Flamengo?

Ambiente bom, sinto saudade. Era o ano do centenário. O nosso plantel tinha tudo para ganhar o Carioca, mas não deu, assim como perdemos outros títulos. Mesmo assim, ficaram as lembranças dos companheiros.

O CLÁSSICO

Flu segura a taça do Fla ‘centenário’
Trecho extraído do livro ‘Fla-Flu – O Jogo do Século’, de Roberto Assaf e Clóvis Martins, da Editora Letras & Expressões

O Flamengo iniciou o ano posando de favorito. O presidente Kleber Leite trouxe Romário da Espanha e garantiu que o clube estava pronto para vencer todos os títulos do ano do seu centenário. Ganhou a Taça Guanabara, mas perdeu praticamente todas as batalhas em outras frentes, em especial contra o Fluminense.

Não é exagero afirmar que a conquista do Estadual de 1995 pelo Fluminense surpreendeu, em especial pelo time não ter ponto extra no Octogonal Final,
e o Flamengo ter três. Por coincidência, a tabela marcou o Fla-Flu para a última rodada. Um empate daria o título ao Rubro-Negro.

O tricolor fez 2 a 0 na etapa inicial, mas permitiu a igualdade a 12 minutos do fim. Lira foi expulso, e o Fluminense ficou com dois a menos.O Flamengo pôs a mão na taça, mas não conseguiu segurá-la.

Aos 41 minutos, Aílton, rejeitado por Kleber Leite no começo do ano, driblou Charles duas vezes na direita e chutou com raiva. A bola iria para fora, mas bateu na barriga de Renato Gaúcho, em gol que pôs fim a nove anos de sofrimento, e impediu rubro-negros de ganharem desejado título no centenário.

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