BLOG: O torcedor: sofredor e egoísta

Uma das origens da palavra “torcedor” e atribuída ao escritor e cronista Coelho Neto, que no início do século passado, observou que as mocinhas, nos jogos do Fluminense, acompanhavam as partidas de futebol aflitas torcendo suas luvas e lenços. Então, ele as chamou de “torcedoras” e logo torcedor virou a palavra que usamos para classificar quem acompanha um time de futebol – há também uma versão afirmando que o termo torcedor venha de “distorcer”, pois o fã tende a mudar os fatos para favorecer seu time.

 

Ambas as versões contemplam duas das mais marcantes características de quem ama um clube: sofrer e ser egoísta. E elas aparecem com mais força em períodos como este, quando temos várias decisões.

 

Para os vencedores, qualquer título conquistado é o mais sofrido da história. Sempre são lembrados todos os momentos duros da campanha e também como só o clube campeão seria capaz de passar por todos os obstáculos para vencer a tudo e a todos.

 

O ato de sofrer se transforma em resposta para todos aqueles que ousaram chamar o clube de “quarta força”, “timinho”, “elenco fraco”, “ou que treme em jogos decisivos”. Mesmo que o próprio torcedor tenha dito exatamente tudo isso durante a campanha da conquista, principalmente após uma derrota. A última frase expressa bem como torcedor é egoísta, pois como ele tem apego excessivo ao seu clube, ele não admite que ninguém fale mal ou critique o seu time de coração. Só quem sofre com a equipe tem o direito de criticar.

 

Para quem não fica para o título, o sofrer se transforma na pior sensação do mundo. Parece que nenhuma das inúmeras vitórias do clube marca mais do que uma simples derrota recente. O apaixonado sente que a ferida de um fracasso não vai cicatrizar nunca. O torcedor sempre vai se lembrar dos momentos que o seu time esteve tão perto da glória, mas acabou derrotado, lógico que o fracasso sempre de forma injusta ou com alguma interferência externa.

 

Não tem jeito, ao juntar o sofrimento com o egoísmo, o fã terá a certeza absoluta que só o time dele é capaz de fracassar da pior maneira possível. Mas, logo em seguida, em um rompante de egoísmo ele faz questão de lembrar que o seu clube não precisa ganhar títulos – isso só serve para “clubes modinhas – e que nos momentos mais difíceis é que um fã tem que estar ao lado do seu clube e é na tristeza que se conhece os verdadeiros torcedores.

 

Para complementar é bom dizer que torcer por um clube é um caso de amor eterno – sem exagero algum. Por isso, como em toda paixão não dá para escapar de ter momentos de sofredor e atos de egoísmo. Tolos são aqueles que não sabem o que é torcer por um clube de futebol, nem sofrer eles sabem. 

Mais pitacos: @humbertoperon

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