Entre ‘facadas e tiro de 12’, vice tenta convencer Lusa a ir à Justiça comum


Orlando Cordeiro de Barros, vice jurídico da Lusa, com Código
Brasileiro de Justiça Desportiva (Foto: Marcelo D. Sants/AE)

A tentativa da CBF de evitar que a Portuguesa entre na Justiça comum só aumentou o desejo do vice-presidente jurídico do clube, Orlando Cordeiro de Barros, de entrar com uma ação. O dirigente disse estar cansado de ver a Lusa “recebendo facadas no seu pulmão”.

Segundo ele, a única saída para o clube é recorrer à Justiça comum, para anular a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que, por conta da escalação irregular do meia Héverton na última rodada do Brasileirão, tirou quatro pontos da Portuguesa, rebaixando-a para a Série B, e livrando o Fluminense da degola.

– Eu estou convencendo o restante da direção da Portuguesa a entrar na Justiça comum. Espero que até o fim de janeiro, eu consiga. O clube foi forçado a se posicionar desta maneira. A Portuguesa vem recebendo facadas no seu pulmão. Se é para acabar com a Portuguesa, que acabem com um tiro de 12 (arma que causa grandes estragos). Se fosse com um clube como Corinthians, Flamengo ou Fluminense, isso não estaria acontecendo – afirmou Orlando ao GloboEsporte.com.

A Portuguesa vem recebendo facadas no seu pulmão. Se é para acabar com a Portuguesa, que acabem com um tiro de 12 (arma que causa grandes estragos).
Se fosse com um clube como Corinthians, Flamengo ou Fluminense, isso não estaria acontecendo

Orlando Cordeiro de Barros, vice jurídico

Ciente de que a Fifa prevê rigorosas punições aos clubes que recorram à Justiça comum, o advogado disse não temer retaliações, como a desfiliação da Portuguesa, condição que a impediria de disputar qualquer competição.

O vice jurídico entende que exigir que o clube não entre na Justiça comum em troca do empréstimo de R$ 4 milhões pedido pela Lusa não foi a única tentativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de evitar que o “caso Héverton” termine fora da esfera jurídica desportiva.  

– Não há por que temermos ninguém, nem FPF, Fifa ou CBF. Nós vivemos em um Estado soberano, democrático. Implanta-se um terrorismo, como se fosse proibido buscar o seu direito em um país democrático. O único regime de exceção que a gente tem visto é no futebol. Nem na política partidária isso está acontecendo. Pessoas graúdas da política foram punidas pelo Superior Tribunal de Justiça e foram parar na Papuda (prisão onde estão os políticos condenados no Mensalão).

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Indagado sobre a chance de a Lusa entrar na Justiça comum, o presidente reeleito da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, afirmou que o clube não deveria seguir tal procedimento. O dirigente é o provável candidato à sucessão de José Maria Marin na presidência da CBF.

– Nós respeitamos as decisões dos tribunais desportivos. Eu não vi a Portuguesa entrar na Justiça comum e isso não pode acontecer, porque existe uma regra nisso tudo. Nós temos um STJD independente. Qualquer tribunal pode cometer equívocos, eu não vou entrar nesse mérito. Mas eu entendo que o assunto deve ser discutido apenas na esfera esportiva. A Fifa determina que os clubes devem buscar o tribunal arbitral. E o nosso tribunal arbitral é o STJD – disse Del Nero.

Ao saber da declaração do presidente da FPF, Orlando Cordeiro de Barros rebateu:

– Não sei se o Marco Polo recebeu da CBF a missão de convencer a Portuguesa a não entrar na Justiça comum. Talvez seja só uma opinião pessoal dele. Eu não tenho nada contra ele. Mas as coisas precisam ser claras, técnicas e cristalinas no Direito. Uma lei federal não pode estar abaixo de uma lei desportiva, e isso está acontecendo. Nós vamos atrás dos nossos direitos na Justiça comum. Basta eu conseguir convencer toda a diretoria da Portuguesa.

Entenda o caso

No fim do ano passado, o STJD tirou quatro pontos da Portuguesa e do Flamengo por terem escalado Héverton e André Santos em condições irregulares, contra Grêmio e Cruzeiro, respectivamente. Esse cenário salvou o Fluminense, que havia caído para a Série B, e rebaixou o clube paulista. Uma série de liminares em ações impetradas por torcedores tem alterado a classificação do campeonato e incomodado a CBF. Em meio a tudo isso, a Lusa pediu um empréstimo à entidade, que concordou em ceder o dinheiro, mas com a condição de que o clube desistisse de todas as ações na Justiça.

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