Opinião | Estrutura atual do futebol dificulta a construção de grandes ídolos


Pensando atualmente nos 20 times que disputam a Série A: quais são os grandes e indiscutíveis ídolos em atividade nos seus respectivos clubes? Nomes altamente consolidados por tempo de clube e títulos conquistados, como  D’Alessandro (Inter), Cássio (Corinthians) e Fernando Prass (Palmeiras); ou jogadores que entraram neste rol por sua fidelidade extrema, como Jefferson (Botafogo), são cada vez mais raros no futebol brasileiro. Por qual motivo?

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Sem dúvida este é um tema bastante complexo, que exige uma grande reflexão para muito além das quatro linhas. Para além até mesmo das próprias estruturas do futebol, já que há um fator social (e financeiro) muito preponderante para que os mercados estrangeiros sejam amplamente atraentes aos olhos dos nossos craques. Uma vez que esporte é uma micro-estrutura da sociedade, todos os grandes males que assolam nosso país também refletem diretamente no futebol, fazendo com que o “sonho europeu” seja plantado, cada vez mais cedo, nos jovens atletas que aqui nascem e se desenvolvem. Em paralelo, os clubes estão cada vez mais endividados, levando diretorias a rifarem suas joias prematuramente. 

A curto/médio prazo, é difícil imaginar o futebol brasileiro competindo em mesmo patamar com as grandes ligas estrangeiras. Não só na bola jogada, mas no potencial atrativo, financeiro e organizacional. O motivo? A corrupção das entidades que gerenciam o nosso esporte favorito está enraizada, entranhada e se dissemina descontroladamente, fator primordial para o crescente desinteresse de todos (de fora) que consomem futebol nacional. A paixão do torcedor segue e sempre seguirá, mas ela já não é suficiente para manter o status de “exemplo a ser seguido” que um dia o Brasil ocupou aos olhos do futebol mundial.

Hoje, somos vistos somente como país exportador de promessas, há muito ultrapassado em filosofia de jogo, administração e infra-estrutura, da base ao profissional. Essa sina seguirá até que mudanças estruturais grandes sejam implementadas no nosso futebolDiante deste cenário, histórias arrebatadoras de identificação e fidelidade de carreira à basicamente um só clube, como Rogério Ceni no São Paulo e Marcos no Palmeiras – para ficar em exemplos mais contemporâneos –, tendem a não se repetir no futebol brasileiro

Para nós, entusiastas do jogo bem jogado e sonhadores por um futebol de alto nível, a torcida é que os muitos ‘ídolos em potencial’ que ainda estão na Série A hoje, como Dudu (Palmeiras), De Arrascaeta (Cruzeiro) e Luan (Grêmio), para citar apenas alguns exemplos, permaneçam por aqui. Por agora, já bastam as despedidas precoces de Lucas Paquetá e Rodrygo, que em 2019 estarão no Milan e no Real Madrid, respectivamente.

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