Pai promete carro a Lanzini por gol e vitória sobre o Boca na Bombonera


Quanto vale um gol e uma vitória na Bombonera para um torcedor assumido do River Plate? Na casa de Lanzini, a resposta está na ponta da língua do pai Héctor: um carro. Perto do nascimento do primeiro filho e com as negociações pela renovação de seu empréstimo ao Fluminense avançadas, o camisa 11 das Laranjeiras ganhou mais um incentivo para ajudar o Tricolor a derrotar a equipe xeneize nesta quarta-feira, às 22h (de Brasília), em Buenos Aires, pela segunda rodada da fase de grupos da Libertadores. Mas o recado do patriarca da família é claro. Não basta balançar as redes. Tem que ser decisivo.

– Já falei com ele. Se fizer um gol e o Fluminense ganhar, lhe dou um carro novo. Se marcar mas o time perder não ganha nada (risos) – explicou Héctor.

Héctor na sala do apartamento da família em Nuñez com várias camisas usadas e trocadas por Lanzini: pai prometeu um carro por gol e vitória na Bombonera (Foto: Edgard Maciel de Sá / Globoesporte.com)

Emprestado pelo River Plate, da Argentina, até o próximo dia 30 de junho, Lanzini não deve começar a partida entre os titulares. Mas tem boas chances de ser utilizado no decorrer do jogo. Ao mesmo tempo em que corre atrás de uma vaga no time titular com a difícil missão de concorrer com Deco e Thiago Neves, o apoiador de 18 anos sonha em ter vida longa nas Laranjeiras. As conversas entre o Tricolor e o clube argentino já começaram e estão avançadas. Segundo Héctor, o River aceitou a proposta de renovação do vínculo por mais um ano e meio. O Fluminense, no entanto, ainda tenta a redução do valor do passe fixado.

– O River precisa do dinheiro e tem outros problemas com o que se preocupar. Não creio que tenham um projeto para ele. A negociação está rolando. Esperamos que saia tudo bem. Vai ser bom para todos se Manuel continuar no Brasil. Eu quero isso e ele também. Todos no clube o tratam muito bem. O desejo da família é que o bebê nasça no Brasil em agosto. No momento, a situação está indefinida, mas acredito que a permanência nas Laranjeiras vai auxiliar sua evolução. Espero que ele fique por lá por mais três anos pelo menos. Não o vejo abaixo de Thiago Neves ou Deco, por exemplo – resumiu.

– A situação está caminhando. O novo empréstimo deve ser por um ano e meio, mas ainda estamos resolvendo o valor do passe. Está muito alto atualmente. Não adianta nada renovar e mantê-lo como está. Seguiríamos apenas formando o jogador sem muita perspectiva futura – confirmou o diretor executivo de futebol do Fluminense, Rodrigo Caetano.

Na tarde da última terça-feira, a reportagem do GLOBOESPORTE.COM visitou o apartamento da família de Lanzini no bairro de Nuñez, em Buenos Aires. A poucas quadras do estádio do River Plate, as camisas emolduradas nas paredes – entre elas até uma de Neymar – e as fotos espalhadas pelos cômodos revelavam o crescimento do garoto que não conseguiu ver o pai jogar profissionalmente e, desde pequeno, andava com a bola debaixo do braço. De volta a Argentina pela primeira vez como jogador desde que trocou o Monumental pelas Laranjeiras, Lanzini tem em sua história motivações de sobra para brilhar na Bombonera.

Torcedor do River, o jovem encarava mais de três horas diárias de viagem para treinar nas categorias de base do clube de coração. Ia e voltava todos os dias para sua cidade natal, San Antônio de Pádua, na companhia da mãe Miriam. Há cerca de três anos, se mudou para perto do clube. Sonhava ser profissional com a camisa que sempre amou. Mas veio o rebaixamento para a Série B do Campeonato Argentino. E, com ele, quatro propostas do exterior.

– Manu é River. Pedimos até a ajuda de uma psicóloga esportiva. Ele passou quase um mês chorando depois do rebaixamento. Como pai eu não podia deixar aquilo. Os jogadores vivem muito da parte psicológica. Tínhamos ofertas do Paris Saint-Germain-FRA, do Villarreal-ESP, do Milan-ITA e do Fluminense. Foi quando expliquei a ele que a melhor opção seria o Brasil. Falta um último passo para Lanzini se tornar um grande jogador. As matérias pendentes teriam de ser resolvidas no Brasil, e não na Europa. Lá ele seria mais do mesmo. Meu filho está no caminho certo, dando os últimos passos que, lamentavelmente, não pode dar no River. A equipe passou por graves momentos nos últimos anos e os jovens não tinham em quem se espelhar, com quem aprender… – lembrou.

Capa do “Diário Olé” enfeita o quarto do jogador
do Flu na Argentina (Foto: Reprodução)

Jogador das divisões de base do clube argentino dos 9 aos 17 anos, Lanzini cresceu ganhando do Boca Juniors. Gandula regularmente nos jogos da equipe profissional do River Plate até pouco tempo, o apoiador conquistou dois títulos em cima do maior rival nas categorias de base. E, segundo Héctor, sempre fazendo gols. 

– Se Lanzini jogar, as chances do Fluminense aumentam. A motivação dele é muito maior. É um ganhador nato sobre o Boca. Cresceu assim. Acho que ele se sairá muito bem em campo. Pode mudar o jogo – garantiu o pai.

A namorada Victória, também de 18 anos, grávida de três meses de Benjamin, primeiro filho do casal, ficou no Rio descansando. A mãe Miriam também não irá ao estádio, mas ainda assim o camisa 11 contará com pelo menos 20 amigos e familiares em sua torcida particular na Bombonera. Se um gol aliado à vitória tricolor pode lhe garantir um carro novo, o objetivo a longo prazo é bem mais difícil: virar titular em meio a um time recheado de craques.

– Os desafios são o que motivam Manu. É muito bom para ele jogar com jogadores como Deco e Thiago Neves, bem mais velhos e experientes. Lanzini é um menino vencedor. Tem a áurea dos grandes jogadores. Aonde ele vai as coisas andam. No Fluminense foi terceiro lugar no último Brasileiro e agora ganhou a Taça Guanabara. Até mesmo no River funcionou. O rebaixamento foi fruto de campanhas ruins nos anos anteriores. Com ele, a equipe terminou em uma posição que lhe garantiria vaga na Sul-Americana, por exemplo. Lanzini está acostumado a pressão e está perto de grandes jogadores. Acredito que ele vá conseguir seu espaço em breve – disse.

Membro da segunda geração de jogadores da família (o pai jogou em clubes como Sporting Cristal, do Peru, e Deportivo Morón, da Argentina, e o irmão Tomás atual no momento pelo Ñublense, do Chile), Lanzini ainda busca seu espaço no milionário elenco tricolor. De gandula no Monumental de Nuñez a jogador profissional e camisa 11 do Fluminense, o apoiador sobe degrau por degrau na escala evolutiva planejada pelo pai e sonha em permanecer nas Laranjeiras. Talvez a Bombonera seja o palco de mais um capítulo dessa história. E ainda pode render um carro. Já está prometido.

Lanzini como gandula em um clássico entre River Plate e Boca Juniors, no Monumental de Nuñez, quando ainda era jogador das categorias de base do clube argentino (Foto: Arquivo Pessoal)

Link original: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/2012/03/pai-promete-carro-lanzini-por-gol-e-vitoria-sobre-boca-jrs-na-bombonera.html