LANCE! Opina: Pelo Maraca e pelo Rio, é hora de negociar


A repentina desistência do consórcio GL Events e CSM de assumir a concessão do Maracanã abre caminho para que o grupo francês Lagardère negocie sozinho com a Odebrecht e passe a administrar o estádio. Poderia ser o fim de uma longa e atribulada novela. Mas, longe disso, ainda há muitos capítulos – e impasses – antes que o Maraca volte a ser o templo maior do futebol brasileiro.

O consórcio desistente tinha o apoio de Flamengo e Fluminense. O grupo já havia definido que os clubes teriam participação ativa na gestão do estádio, compartilhando decisões. Já a Lagardère, associada à BWA, empresa que não é bem vista por boa parte dos clubes brasileiros, não tem acerto algum. Vai manter em princípio o contrato do Fluminense com a atual concessionária, mas precisará negociar mais.

O mundo dos negócios do futebol tem poucas verdades absolutas. Uma delas é que não se viabiliza um estádio sem ter um time que jogue ali. E isso, especialistas que são no assunto, gerindo arenas na Europa, além do Castelão, em Fortaleza, os franceses sabem muito bem. Flamengo e Fluminense também precisam saber.

No auge das discussões sobre o destino do estádio, o presidente Bandeira de Mello disse que o Flamengo não jogaria no Maracanã se não participasse efetivamente da gestão. Foi ameaçador ao afirmar que o Maracanã precisava do Flamengo mais do que o Flamengo precisava do Maracanã. É uma verdade.

Mas, para que o imbróglio de todos esses meses possa ter um final feliz – ou menos ruim – para o já sofrido futebol carioca, a hora não é mais de ameaças e de confrontos. O anúncio de que o jogo de estreia na Libertadores vai ser no Maracanã, ainda que em um acerto pontual, é um ótimo presságio.

O Rubro-Negro, em conjunto com o Fluminense, é forte. O momento é de sentar-se à mesa e negociar. Impor suas prioridades e resgatar até mesmo o que já havia sido acertado com o grupo GL Events/CSM. Fla e Flu estão com a faca e o queijo na mão.

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